eu estava mastigando minha própria língua, distraída e esperando o bico do seu sapato aparecer entre a multidão. o sol me fazia mergulhar no meu suor, já sem odor. meu batom vinho escarlate gritava por você, o tempo tamborilava, estava sem pressa. eu sentada no degrau, pedrinhas cinzas conversavam comigo, quase muda. na hora que vi as horas, você surgiu, dessa vez não vi a ponta do seu sapato já gasta, entre vindas e idas. seu corpo apareceu, ossos a vista sincronizada com meu sorriso amarelo, sem dor. olhei no reflexo da poça, estava ali desde ontem, as luzes tentaram apagar em vão, postes de luzes acabaram dissolvendo por ali mesmo. arrumei meu cabelo deixando de lado, em cima, de pé, curvado, pulando e até mesmo cantando canções que ninguém ouvia naquele rastejo frenético. você veio, postou diante de mim. elogiou minha cor sem sangue, minha mudez era resposta, nudez sem razão. pegou na minha mão, nossos suores exclamaram juntos, encardidos. tropecei, seu apoio é melhor que morrer com dentes azuis. suas perguntas foram respondidas pelo vapor das ruelas, com luz até certo dia. meu coração arrebentado, foi motivo da minha alegria se dissipar, quando pedras&retas gritaram sem voz, você ía passando. meu batom borrado. cabelo sem grampo. você não me enxergou dentro da escada, ela não avisou. retoco meu batom. saio correndo com lágrimas borradas perante fumo dos sulcos. tentei te agarrar outra vez sem noção.
caio da lua outra vez.
Nenhum comentário:
Postar um comentário