todos os elos perdidos focados numa lata de cerveja. na mesa você discutia yamaguchi, ou sei lá o quê, estava arrumando meu brinco, nem prestei atenção. acertei tiro ao alvo, bem perto da sua cabeça, bebia ou ria. se remexeu na cadeira, inquieto. madrugada fria você comentava, eu cantava, ou algo assim 'y you my lov, yo yo. sem paredes ou vigas, não ía desabar, eu provocava mesmo, fingia que estava nublado, estava chovendo a luz do sol. os quadros pintados a manivela, pediam transporte, ou acenava displicentemente debaixo da mesa. cocei a orelha, meu lóbulo formigava, já era hora. apressa-te, o bonde vai rir da sua cara da próxima vez, esses avisos parecem música de ninar, você fala que se acostumou com gaivotas, era pura contradição. já que eu comia sem usar as mãos, fatiava em degradé, minhas facas profetizavam e íam, viam jurando orações ou rezas malignas. num instante você bebia café, comia arroz e se debruçava. pintando meus lábios inferiores de duas cores, debaixo do meu manto. estava com fome, queria ver lua, pássaros, ou beijos monocromáticos. eu era personagem disfarçado, trabalhava pra elite, vigiava com lanternas apagadas, na estrela ou terra. na lanterna já decorou o caminho, reto, vira a esquerda, poço adiante e assim foi. por três anos provavelmente você nem se lembrará daquela estrada maldita, ou de lábios transparentes.
6 de nov. de 2008
todos os elos perdidos focados numa lata de cerveja. na mesa você discutia yamaguchi, ou sei lá o quê, estava arrumando meu brinco, nem prestei atenção. acertei tiro ao alvo, bem perto da sua cabeça, bebia ou ria. se remexeu na cadeira, inquieto. madrugada fria você comentava, eu cantava, ou algo assim 'y you my lov, yo yo. sem paredes ou vigas, não ía desabar, eu provocava mesmo, fingia que estava nublado, estava chovendo a luz do sol. os quadros pintados a manivela, pediam transporte, ou acenava displicentemente debaixo da mesa. cocei a orelha, meu lóbulo formigava, já era hora. apressa-te, o bonde vai rir da sua cara da próxima vez, esses avisos parecem música de ninar, você fala que se acostumou com gaivotas, era pura contradição. já que eu comia sem usar as mãos, fatiava em degradé, minhas facas profetizavam e íam, viam jurando orações ou rezas malignas. num instante você bebia café, comia arroz e se debruçava. pintando meus lábios inferiores de duas cores, debaixo do meu manto. estava com fome, queria ver lua, pássaros, ou beijos monocromáticos. eu era personagem disfarçado, trabalhava pra elite, vigiava com lanternas apagadas, na estrela ou terra. na lanterna já decorou o caminho, reto, vira a esquerda, poço adiante e assim foi. por três anos provavelmente você nem se lembrará daquela estrada maldita, ou de lábios transparentes.
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